Sexta, 19 de agosto de 2022   -     10:57 |
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Com 2 anos de atraso, coleta do Censo Demográfico começa nesta segunda

A pandemia da Covid-19 e as crises na destinação de recursos para a realização do Censo Demográfico adiaram em dois anos a realização da pesquisa.

Após o atraso, recenseadores treinados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) iniciam, nesta segunda-feira (1º/8), a coleta de dados do maior e mais importante estudo sobre a população brasileira.

De acordo com o IBGE, a previsão é que sejam visitados 75 milhões de domicílios até o início de novembro. O instituto estima que, para coletar dados suficientes sobre a condição de vida dos brasileiros, será necessário percorrer mais de 8,5 mil quilômetros quadrados pelos quatro cantos do país.

Para realizar o trabalho, o IBGE contratou 183 mil recenseadores, 18 mil supervisores e 10 mil agentes censitários, alocados em 27 unidades estaduais, 566 agências e 6 mil postos de coleta.


“Os primeiros resultados do Censo 2022 estão previstos para serem divulgados ainda no fim deste ano. Outras análises e cruzamentos de dados serão divulgados ao longo de 2023 e 2024”, informou o IBGE.

Serão aplicados dois questionários: o básico, com 26 questões; e o de amostra, com 77 perguntas mais detalhadas. A abordagem da população será presencial, pela internet ou por telefone.

Nas duas últimas alternativas, o recenseador visitará o cidadão e fará um cadastro de e-mail e celular no sistema do instituto. Caso queira confirmar a identidade do agente, a pessoa pode acessar o site Respondendo ao IBGE 

Recenseadores do IBGE iniciam coleta de dados da maior pesquisa sobre a população do país. Confira novidades que estarão nos questionários

A pandemia da Covid-19 e as crises na destinação de recursos para a realização do Censo Demográfico adiaram em dois anos a realização da pesquisa.

Após o atraso, recenseadores treinados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) iniciam, nesta segunda-feira (1º/8), a coleta de dados do maior e mais importante estudo sobre a população brasileira.

De acordo com o IBGE, a previsão é que sejam visitados 75 milhões de domicílios até o início de novembro. O instituto estima que, para coletar dados suficientes sobre a condição de vida dos brasileiros, será necessário percorrer mais de 8,5 mil quilômetros quadrados pelos quatro cantos do país.

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Para realizar o trabalho, o IBGE contratou 183 mil recenseadores, 18 mil supervisores e 10 mil agentes censitários, alocados em 27 unidades estaduais, 566 agências e 6 mil postos de coleta.

“Os primeiros resultados do Censo 2022 estão previstos para serem divulgados ainda no fim deste ano. Outras análises e cruzamentos de dados serão divulgados ao longo de 2023 e 2024”, informou o IBGE.

Serão aplicados dois questionários: o básico, com 26 questões; e o de amostra, com 77 perguntas mais detalhadas. A abordagem da população será presencial, pela internet ou por telefone.

Nas duas últimas alternativas, o recenseador visitará o cidadão e fará um cadastro de e-mail e celular no sistema do instituto. Caso queira confirmar a identidade do agente, a pessoa pode acessar o site Respondendo ao IBGE, por meio deste link.

12 anos sem dados

Em 2022, a realização do Censo no Brasil completa 150 anos. Desde 1890, a coleta ocorre a cada década — a mais recente foi feita em 2010. Com o adiamento do estudo de 2020, o país completa 12 anos sem dados oficiais sobre seus habitantes.

O atraso impacta diversos setores: desde a destinação de recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) para as mais de 5 mil cidades brasileiras até a criação de políticas públicas de saúde, segurança pública, infraestrutura e educação, por exemplo.

“Todas as políticas públicas, em todas as escalas, são afetadas pelo Censo. O planejamento de uma cidade, estado, da União ou até de uma empresa privada. Precisamos conhecer o brasileiro: quem são, onde há mais gente, onde temos riqueza, onde temos mais pobreza. O dado é fundamental para a tomada de decisão”, explica o estatístico Fernando Luiz Sobrinho, professor da Universidade de Brasília.

Crise orçamentária

Neste ano, o orçamento destinado para a realização do Censo foi de R$ 2,3 bilhões. O valor é o mesmo solicitado pelo órgão ao governo federal em 2019, antes da pandemia. Com a inflação dos últimos meses, a verba acabou corroída.

A questão foi levantada pelo diretor de Pesquisas do IBGE, Cimar Azevedo, que pontuou a necessidade de recomposição do orçamento. Em evento realizado pelo instituto, o gestor detalhou que o preço da gasolina e o aluguel de veículos utilizados pelos agentes tiveram aumento expressivo.

Em nota enviada ao Metrópoles, o IBGE pontuou que o valor definido será mantido, e que não houve solicitação de verba extra ao governo federal.

“Imagina o que é um Censo em uma cidade como Altamira (PA), o maior município brasileiro, que tem o tamanho da Noruega? Imagina o custo de realizá-lo no interior do país, ou em uma periferia de grandes cidades brasileiras. Isso tudo é custo”, ressalta o professor.

Novidades e desafios

Pela primeira vez, serão incluídas ao questionário perguntas sobre comunidades quilombolas. Até o momento, o país tem apenas estimativas referente a esse grupo, mas não conta com números oficiais sobre a quantidade de pessoas remanescentes de quilombos que habitam no Brasil.

Também serão acrescentadas ao questionário perguntas sobre autismo. A inclusão do assunto passou a ser obrigatória após a publicação da Lei nº 13.861, de 2019.

Apesar dos avanços com a inserção desses dois grupos, informações importantes ainda foram excluídas do Censo. Em junho deste ano, a Justiça Federal ordenou, em caráter liminar, que o IBGE incluísse questões sobre orientação sexual e identidade de gênero nos questionários.

O instituto recorreu da decisão e alegou que a inclusão da pergunta no questionário causaria novo atraso na realização do Censo. Após a justificativa do órgão, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) suspendeu a determinação que obrigava a criação de questões sobre o tema.


A exclusão foi criticada por organizações da comunidade LGBT+, que lamentaram a falta de dados oficiais sobre esse grupo pelos próximos 10 anos, até a realização de outro censo.

O coordenador nacional de comunicação da Aliança Nacional LGBTI*, Gregory Rodrigues, pontua que o grupo já procurou o IBGE em diversas ocasiões para oferecer suporte na construção do questionário. No entanto, não houve retorno.

“Mesmo com os altos índices de LGBTfobia que existem hoje no Brasil, nós ainda não recebemos um olhar efetivo do poder público que se preocupe com nossa existência. A construção de políticas públicas é feita com dados. Enquanto não contamos com um levantamento de informações sobre os LGBTI+ no Brasil, não teremos políticas efetivas”, assinala Gregory.

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