Domingo, 26 de junho de 2022   -     04:19 |

Bolsonaro diz que, 'ao que tudo indica', servidores não terão reajuste neste ano

 O presidente Jair Bolsonaro (PL) disse nesta terça-feira (7) que o todo o funcionalismo público federal deve ficar sem reajuste neste ano.

A declaração ocorre após idas e vindas em estudos para aumentar o salário de todos os servidores, depois de apenas algumas categorias policiais, mais próximas ao presidente, neste ano em que busca se reeleger.

"Lamento, [mas] pelo o que tudo indica, não será possível dar nenhum reajuste para o servidor no corrente ano", disse Bolsonaro em entrevista ao SBT.

O presidente Jair Bolsonaro (PL) em cerimônia com presença de integrantes da Polícia "Mas já está na legislação nossa mandando para parlamento, LOA [Lei de Orçamentária Anual] etc, que para ano que vem teremos reajustes e reestruturações".

Na semana passada, o governo federal bloqueou a execução de R$ 8,7 bilhões do Orçamento de 2022 para não descumprir o teto de gastos, que impede o crescimento das despesas federais acima da inflação.

A medida inclui a verba de R$ 1,7 bilhão originalmente destinada a reajuste de servidores -reforçando a dificuldade de conceder aumentos ao funcionalismo diante das limitações fiscais.

O corte atinge principalmente os ministérios da Ciência, da Educação e da Saúde.

O presidente queria agradar carreiras policiais e, inicialmente, o reajuste previsto contemplaria apenas Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, e Depen.

Depois da pressão das demais carreiras, a principal tendência do governo passou a ser a de dar reajuste de 5% para todos -com a possibilidade de um acréscimo aos policiais.

Na semana passada, o chefe do Executivo indicou que recuaria desta possibilidade.

"Eu apelo aos servidores, reconheço o trabalho de vocês, mas a greve não vai ser solução, porque não tem dinheiro no Orçamento. Eu sou o primeiro presidente a ter teto no Orçamento. Outros não tinham, poderiam reajustar, eu não posso", afirmou.

Bolsonaro vinha sendo aconselhado a não privilegiar carreiras em ano eleitoral, sob o risco de enfurecer as demais. O custo político, contudo, de um reajuste considerado baixo pelo funcionalismo se tornou mais alto, dizem integrantes do governo.


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