Quinta, 19 de maio de 2022   -     02:34 |

Mãe de estudante desaparecido crê em assassinato e pede ajuda

“Estamos lutando pelo nosso filho”, foi assim que Moisés e Ana Lúcia, se referiram ao atual momento que a família vive após o desaparecimento do estudante de Direito, Lucas Vinícius Monteiro Oliveira, de 24 anos, que já completou 17 dias.

Foto: Reprodução

O Corpo de Bombeiros tem realizado buscas pelo estudante, após a namorada Gabriela Vasconcellos afirmar que ao retornar de uma festa, na madrugada do dia 24 de abril, o jovem parou o carro e pulou da ponte Juscelino Kubitschek para o rio Poti, em Teresina. Desde então foram realizadas buscas até Miguel Alves, a 117 km de Teresina, mas o corpo nunca foi localizado.

A família do estudante mora em São Paulo e viajou para Teresina para acompanhar as buscas. Só que inconsistências na declaração da namorada e a transferência de R$ 3,5 mil da conta do estudante para a conta de Gabriella, horas após o desaparecimento, levantaram as suspeitas da família, que registrou um Boletim de Ocorrência e pediu a realização de uma investigação do caso. 

Mãe relata suspeitas

Segundo Ana Lúcia, algumas atitudes levantaram a sua suspeita em relação ao caso, uma delas foi em relação a uma mensagem que ela disse que recebeu da irmã de Gabriela, quando foi informada sobre o desaparecimento do filho.

“Ela mandou mensagem assim: venham para Teresina, mas não venham na esperança de achá-lo vivo. Como assim? Ela já sabia que nosso filho estaria morto? Pegamos um avião, chegamos no aeroporto de Teresina 12h30”, afirmou.

Ela disse que logo após chegar em Teresina foi para a casa de Gabriela, mas que não obteve as respostas que queria sobre como aconteceu o desaparecimento.  “Perguntei onde eles estavam e não tive resposta até hoje. Com quem estavam? Não tive resposta até hoje. Já se fazem 17 dias”, declarou.

Ana Lúcia explicou que chegou na residência de Gabriela às 13h30, e que por volta das 14h30 aconteceu uma transferência de R$ 3,5 mil da conta de Lucas para a conta de Gabriela, o que levantou as suspeitas da família, que pediu uma investigação da polícia do caso.

A defesa de Gabriela alegou que foi a mãe do jovem que realizou a transferência, o que Ana Lúcia negou. “Chegamos 13h30 na casa dela e a transferência de R$ 3.500 retirada pela Gabriela, do Lucas, foi 14h30. Quando que uma mãe e um pai desesperado por um filho vai pensar em dinheiro?”, questionou.

Ela disse ainda que a jovem excluiu todas as conversas que tiveram. “Porque eu iria me preocupar por dinheiro, quero saber do paradeiro do meu filho, o que aconteceu, queremos Justiça. É uma grande calúnia o que estão falando”, criticou.

O pai de Lucas, Moisés, afirmou que a família da namorada de Lucas, tem tentado intimidar o casal, mas pontuou que eles não vão deixar de procurar pelo filho. “Quando abrimos o B.O. no DHPP, a mãe da Gabriela só me provocando, a resposta que eu dei, foi que a gente está lutando pelo nosso filho”, afirmou.

Família não acredita em suicídio

Segundo Ana Lúcia, seu filho nunca apresentou sinais de depressão, como a defesa de Gabriella alega. “No momento estamos fragilizados. O nosso filho não se jogou da ponte em momento nenhum. Existiu sim a cena do carro na ponte, mas em momento nenhum ele estava depressivo, ele era amado, querido por todos”, pontuou.

O pai de Lucas, Moisés, afirmou que é estranho, que com 17 dias o corpo ainda não tenha aparecido. Ele ainda pede que o caso seja devidamente investigado, principalmente os fatos que ocorreram antes do desaparecimento, como uma discussão que o jovem teve com outros rapazes em uma festa.

“No momento que ela falou que ele se jogou da ponte. Falaram que tinham testemunhas, mas não apareceu ninguém. E sobre a festa, quem era esse rapaz que deu um empurrão no Lucas e eles se provocaram? Afinal de contas, quem são eles, nunca apareceram essas pessoas, a gente quer saber quem é, estamos atrás de lutar pelo nosso filho. Já faz 17 dias que não apareceu corpo nenhum”, destacou.

Corpo carbonizado

Como o corpo não apareceu no rio, a família teve o material genético coletado, para ser comparado com qualquer corpo sem identificação que possa aparecer.

A família informou que aguarda essa comparação de DNA, com um corpo que foi encontrado carbonizado, próximo ao Rodonael, de Teresina, que segundo a família, poderia ser de Lucas. “Já faz 17 dias do desaparecimento do Lucas, um corpo carbonizado no IML é de um homem, e a idade provavelmente do nosso filho”, lamentou Ana Lúcia.

Defesa nega acusações

Em nota de esclarecimento, o advogado Whyttal Veras, que representa Gabriela Vaconcelos, afirmou que a jovem está sendo alvo de um julgamento social injusto e que ela não é suspeita de qualquer delito.

Destacou ainda que foi Gabriela que emprestou para Lucas um cartão de crédito, pois ele não tinha um emprego fixo. Disse que quando ocorreu a transferência, o celular de Lucas já estava com a mãe.

“Sua namorada Gabriela lhe emprestou um cartão de crédito para que ele usasse no seu dia-a-dia em Teresina. A conta a qual esse cartão era vinculado, inclusive, só podia ser acessada do telefone de Lucas. Seu telefone, quando da transferência, já estava em poder de sua mãe, que naquele dia dormiu na casa de Gabriela e, no dia seguinte, saiu e levou consigo o celular, que foi presente de Gabriela para Lucas”, informou.

O advogado afirmou que Gabriela chegou a transferir um outro valor para a conta de Lucas, para que fosse realizado o pagamento da fatura.

“Não se sabe qual foi o intuito da divulgação do comprovante de transferência. O certo é que essa exposição causou danos e gerou especulações e julgamentos sociais que agravaram a situação de profunda tristeza que vive Gabriela. Entende-se o sofrimento da família de Lucas, que tem o direito de vivenciar o luto à sua maneira. A solução para este sofrimento, no entanto, não será encontrada na difusão de boatos que acabam por expor, ainda mais, a imagem do próprio jovem”, informou a defesa em nota.

Alegou ainda que o jovem tinha depressão e que ele já passou por tratamento da doença. “Lucas sofria de profunda depressão e ansiedade, chegou a fazer tratamento, fato que era conhecido por sua própria família, conforme comprovado no IPL. Nesse momento de profunda tristeza que vive Gabriela, sua família, bem como a família de Lucas Vinicius, o que se pede é empatia e respeito por parte de todos. O fato está sob investigação policial, não havendo, até o momento, qualquer prova de materialidade de crime ou suspeito indiciado. Resta à imprensa e à sociedade confiar no trabalho da Polícia, como confia Gabriela Vasconcelos, na certeza de que toda a circunstância restará esclarecida”, informou.

Nota na íntegra:

Maria Gabriela Soares Vasconcelos e sua família, diante das reportagens que circularam nos últimos dias tratando do desaparecimento do seu namorado, o jovem Lucas Vinicius, vem a público esclarecer alguns pontos, sobretudo em relação a uma transferência bancária divulgada na mídia local, causando enorme constrangimento, exposição indevida da imagem de Gabriela, bem como submetendo-a a um julgamento social injusto. Em meio a tudo que vem enfrentado desde o desaparecimento de Lucas Vinicius, a injusta exposição tem lhe causado, inclusive, medo de retomar suas atividades básicas do cotidiano, como ir ao trabalho. Gabriela não é suspeita de qualquer delito, não figura como indiciada no inquérito policial que investiga o ocorrido e vem colaborando prestimosamente com as investigações policiais. 

Em relação à referida transferência, esta ocorreu por iniciativa da própria mãe de Lucas Vinicius, no dia 24/04/2022, pois era de conhecimento de todos os entes próximos que, por não declarar renda e não possuir emprego fixo, Lucas não conseguiu acesso a crédito nos bancos.

Por esta razão, sua namorada Gabriela lhe emprestou um cartão de crédito para que ele usasse no seu dia-a-dia em Teresina. A conta a qual esse cartão era vinculado, inclusive, só podia ser acessada do telefone de Lucas. Seu telefone, quando da transferência, já estava em poder de sua mãe, que naquele dia dormiu na casa de Gabriela e, no dia seguinte, saiu e levou consigo o celular, que foi presente de Gabriela para Lucas. No referido cartão, conforme fatura em anexo, que tinha vencimento para o dia 25/04/2022, um dia após a transferência, havia compras de Lucas e de sua própria mãe, relativas a despesas com a neta da mãe de Lucas, sua sobrinha, que havia vindo morar com ele. Este fato explica a inciativa da mãe de Lucas em relação à transferência, que foi realizada na residência de Gabriela e na presença de várias testemunhas, além da própria mãe, que inclusive já prestaram depoimento. Todos os documentos comprobatórios foram juntados ao inquérito policial, como a fatura do referido cartão, onde consta inclusive transação nominal feita por Lucas para pagamento de fatura anterior, bem como comprovação de que a conta

estava autorizada para acesso apenas pelo celular de Lucas desde agosto de 2021. Prova disso, também, é que Gabriela transferiu, de uma conta sua, outro valor, para a mesma conta que foi realizada a transferência do celular de Lucas, para completar o valor da fatura, conforme comprovante em anexo e também juntado aos autos do IPL.

O cartão da conta ainda está em poder da mãe de lucas, o que também confirma o esclarecido aqui. Não se sabe qual foi o intuito da divulgação do comprovante de transferência. O certo é que essa exposição causou danos e gerou especulações e julgamentos sociais que agravaram a situação de profunda tristeza que vive Gabriela. Entende-se o sofrimento da família de Lucas, que tem o direito de vivenciar o luto à sua maneira. A solução para este sofrimento, no entanto, não será encontrada na difusão de boatos que acabam por expor, ainda mais, a imagem do próprio jovem.

Lucas sofria de profunda depressão e ansiedade, chegou a fazer tratamento, fato que era conhecido por sua própria família, conforme comprovado no IPL.  Nesse momento de profunda tristeza que vive Gabriela, sua família, bem como a família de Lucas Vinicius, o que se pede é empatia e respeito por parte de todos. O fato está sob investigação policial, não havendo, até o momento, qualquer prova de materialidade de crime ou suspeito indiciado. Resta à imprensa e à sociedade confiar no trabalho da Polícia, como confia Gabriela Vasconcelos, na certeza de que toda a circunstância restará esclarecida.


Amigos não acreditam em suicídio

Foto: Reprodução 

Alguns amigos de Lucas também gravaram vídeos onde afirmam que o jovem nunca apresentou sinais de depressão e destacaram a personalidade do estudante de Direito, que saiu de São Paulo e veio morar em Teresina, onde atuava como Vídeo Maker.

“O Lucas era uma pessoa muito feliz, os pais dele entravam em contato com ele todos os dias, quando não dava, era ele que ligava, passavam horas no telefone, ele não apresentava sinais nenhum de depressão, ele passou três anos com a gente e sendo feliz”, disse a amiga Paula.

Cauã Richard, amigo de Lucas, afirmou que o jovem era calmo e não era de sair para festas. “Ele era uma pessoa trabalhadora, guerreira, amoroso, carinhoso, ele não era do tipo que bebia, ia em festa e bebia, e ainda por cima indo para festa arrumar briga, ele não era esse tipo de pessoa, posso afirmar isso. Ele se dedicava muito a família e a Deus”, afirmou.

O amigo do estudante, de São Paulo, afirmou que está sendo difícil acreditar no que está acontecendo.

“O Lucas cresceu entre a gente, conheço a índole da família e do Lucas, é tão difícil acreditar nesse momento de tristeza e de dor. É difícil entender porque até hoje não encontraram o corpo. Se ele pulou em uma ponte e até hoje não foi encontrado, triste demais, um menino cheio de sonhos, de projetos, que infelizmente não está entre nós. Para os pais a dor é imensa, mesmo de longe acompanhamos a situação e difícil será cicatrizar essa dor, estamos na torcida para encontrar os culpados, vemos uma situação transcorrendo para uma parte de depressão, ele nunca teve depressão, estava no melhor momento pessoal e profissional, os pais dele sempre ligavam para ele, o Lucas estava feliz”, declarou.

Polícia está investigando

O caso está sendo investigado pela Delegacia de Desaparecidos, que faz parte do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil do Piauí.

A delegada Fernanda Iris informou que não irá se manifestar sobre o desaparecimento de Lucas Vinícius, em decorrência das informações desencontradas que estão sendo divulgadas e para garantir imparcialidade durante a investigação.

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