Domingo, 20 de setembro de 2020   -     02:41 |

Coluna Coluna Feitosa Costa

Wellington adota novo padrão ao romper com Ciro Nogueira; veja como fica o cenário no Piauí

Nesse rompimento com o senador Ciro Nogueira, Wellington Dias fugiu um pouco do padrão de comportamento que tem adotado desde que chegou ao poder. O governador sempre buscou unanimidade, sempre buscou a hegemonia.

Agora mesmo na última eleição ele fez uma bancada muito grande, mas mesmo assim não sossegou enquanto não levou para suas hostes outros parlamentares, como Evaldo Gomes. Daqui para frente, haverá, sem dúvida nenhuma, um novo padrão de governo.

O que deve ter precipitado o rompimento de Wellington com Ciro foi a postura do senador de apoio ao presidente Bolsonaro, que ficou claríssimo na vinda do capitão ao município de São Raimundo Nonato. Wellington poderia alimentar algum tipo de esperança de uma convivência com Ciro Nogueira se ele não tivesse se aproximado tanto do governo federal.

Como ficaria, por exemplo, uma eventual candidatura sua ao senado, se na cabeça o apoiamento seria de Bolsonaro? Assim, no meu modo de entender, ele foi mais rápido: partiu logo para saber com quem conta para empreitadas futuras. 

A presença do senador Marcelo Castro (MDB) na última reunião que o governador teve com Ciro, foi altamente emblemática. Wellington Dias levou Marcelo a tira colo dando a entender que ele pode ser o candidato a sua sucessão. 

Esse emblema, vamos dizer assim, da presença do presidente do MDB do Piauí, fortalece a sigla como um todo. Estão fortes agora os parlamentares do MDB, principalmente o presidente da Assembleia, Themístocles Sampaio Pereira Filho.

Todos sabem, os que conhecem os bastidores da política, que Marcelo e Temístocles são as principais estrelas do partido do Piauí. Quem teria mais força interna o MDB? Marcelo ou Temístocles.

Mexe com Teresina

Outro aspecto que nós temos que ver é que esse rompimento altera também uma relação futura de 2ª turno na eleição de Teresina. Firmino Filho é aliado forte de Ciro Nogueira e tem um candidato a prefeito. 

Vamos levantar uma hipótese: Num eventual segundo turno com Dr. Pessoa ou Fábio Abreu, seria melhor para o governador, o Fábio, claro.  

Mas se for o Dr. Pessoa há forte indícios de que Wellington ficará com o médico humanitário. 

Outra pergunta que se faz: Como ficarão os deputados do partido de Ciro Nogueira na Assembleia? 

Wilson Brandão, por exemplo, comanda uma secretaria que não é tão forte, não tem tantas muitas realizações, mais pela estrutura do que pela competência do titular. Wilson é um político experiente e teria condições de fazer muita coisa se tivesse uma secretaria à altura. 

Hélio Isaías, como ficaria? 

Como ficaria também o deputado B.Sá Filho? Esse tem a tendência de apoiar Ciro Nogueira, assim como o próprio Wilson Brandão. 

Já Hélio Isaías é uma incógnita. Ele tem uma relação pessoal com o governador, mas também, por outro lado, uma mulher prefeita de São Raimundo Nonato que pertence ao partido de Ciro.

A posição de Wilson Martins

É de se observar, também, o silêncio nos últimos meses do ex-governador Wilson Martins. Seria a influência nacional do partido, já que ele comanda aqui o PSB, que é aliado do PT à nível nacional e tem radicalizado contra o presidente Bolsonaro? Seria por causa disso?

A verdade é que Wilson Martins pode se aproximar do governo estadual e ocupar lacunas deixadas pelo partido de Ciro. 

Para finalizar

Como ficaria o deputado Firmino Paulo, integrante da sigla comandada por Ciro Nogueira? Firmino Paulo, ao que se sabe, não quer de forma nenhuma se aproximar do tio prefeito de Teresina. 

Tem até elogiado o governador Wellington Dias, nos bastidores, dizendo que ele foi o primeiro a lhe dar espaços. Firmino Paulo chegou a alimentar, inclusive, a possibilidade de se filiar ao PT, segundo fontes bem próximas do parlamentar. 

 É provável, muito provável, que ele permaneça na base do governador. 

 

 

Dê sua opinião: