Terça, 29 de setembro de 2020   -     10:08 |

Padre Robson controlou R$ 1,9 bilhão usando filiais da Afipe

 Foto: Reprodução  

Segundo o Ministério Público (MP), o padre Robson de Oliveira, investigado por desvio de dinheiro da Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), em Trindade (GO), movimentou cerca de R$ 1,9 bilhão, em nove anos, usando empresas com nomes semelhantes ao da entidade, nas quais ele era o único responsável. O MP apura se o dinheiro doado por fiéis foi desviado para compra de imóveis.  

De acordo com as investigações, a Afipe original, fundada em 2004 pelo padre e que possui uma diretoria, recebeu R$ 74,8 milhões entre 2010 e 2018. Já uma segunda associação, criada em 2009 pelo padre, recebeu R$ 255,4 milhões em nove anos. A terceira organização, também fundada pelo sacerdote, foi a que arrecadou a maior quantia, com R$ 1,7 bilhão no mesmo período. 

O Ministério Público ainda afirmou que o padre “criou várias associações com nome de fantasia Afipe ou similar, com a mesma finalidade, endereço e nome, e que, por meio de alterações estatutárias, gradativamente, assumiu o poder absoluto sobre todo o patrimônio das Afipes”.

Os promotores acreditam que o padre se valeu da condição de presidente das associações para se apropriar de “valores arrecadados pelas entidades, desafiando e ignorando a finalidade da criação dessas pessoas jurídicas, e mais, utilizou-se dos imóveis da associação em proveito próprio e de terceiros”.

De acordo com as investigações, a Afipe usou o dinheiro para comprar diversos imóveis, como fazendas, uma delas avaliada em R$ 90 milhões, e uma casa de praia na Bahia, e até um avião. Ao todo, foram 1,2 mil transações imobiliárias.

Com o passar dos anos, a Afipe original teve redução no valor arrecadado, conforme apontaram os investigadores. Em 2010, o montante foi de R$ 47,9 milhões, caindo para R$ 13,6 milhões no ano seguinte e para R$ 1,4 milhão em 2018.

Já uma das filiais criadas em 2009 pelo padre Robson recebeu, em 2010, R$ 22,8 milhões, saltando para R$ 74,8 milhões no ano seguinte. Em 2018, o montante chegou a R$ 219,1 milhões. A última Afipe criada foi a que fez mais movimentações com valores acima de R$ 100 mil, de acordo com o relatório do MP. Houve negociações com centenas de pessoas e empresas. 

* Com informações do Pleno News

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