Quarta, 27 de janeiro de 2021   -     01:34 |

Em mensagens, filho de Lobão pede a galeria para subfaturar obras de arte e combina entrega de "chocolates"

Alvo da Operação Vernissage, 79ª fase da Lava Jato, cumprida ontem (12) pela Polícia Federal (PF), Márcio Lobão, filho do ex-ministro de Minas e Energia (2008 a 2014), Edison Lobão, pediu, em mensagem enviada ao dono de uma galeria, para subfaturar nota fiscal de obras de arte, informa o Estadão.

“Tiramos nota de menor valor nos quadros para reduzir impostos. Vocês ganham no não pagamento de impostos. Fica bom para todos”, diz uma das mensagens de WhatsApp.

O material foi entregue por Rodrigo Lobo Sotomayor Editore, um dos donos da Casa Triângulo, que fica em São Paulo. Investigado por lavar dinheiro para Márcio Lobão, ele fechou acordo de delação com o sócio Ricardo Antônio Trevisan.

Nas mensagens, Márcio e Rodrigo negociavam a compras de R$ 425 mil, mas apenas R$ 261 mil seriam pagos por transferência e declarados em nota fiscal. O resto seria pago em espécie.

Márcio Lobão chegou a ser preso por quatro dias em 2019, numa das fases da Lava Jato. Ele e o pai já são réus na operação, acusados de receber propina em contratos fraudados na Transpetro.

Em São Luís, no Maranhão, a PF apreendeu carros de luxo e um helicóptero que estava guardado na garagem de Edison Lobão Filho. No Rio, levou dezenas de obras de arte que estavam em um apartamento do irmão Mário. As obras vão ser periciadas e levadas para o Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba.

De acordo com os procuradores, a compra dos quadros serviu para lavar o dinheiro de propina destinada a pai, Edison Lobão.

Filho de Edison Lobão é alvo da PF em ação que investiga propina na Petrobras

No despacho, a juíza Gabriela Hardt afirma que “há indicativos de que os valores de compra de referidos quadros teriam sido subfaturados e que dois responsáveis por uma galeria de arte procuraram espontaneamente o Ministério Público Federal para confessar a prática do crime".

Outra movimentação sob suspeita, segundo a Lava Jato, é a de um apartamento de luxo em São Luís, comprado em 2007, por R$ 1 milhão em dinheiro vivo. A compra foi feita em nome de uma rádio que pertence aos filhos de Edison Lobão. O imóvel foi vendido, dois anos depois, por R$ 3 milhões.

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