Sábado, 16 de outubro de 2021   -     17:09 |

Inteligência dos EUA investiga pesquisadores chineses que adoeceram de covid em 2019

Agências de inteligência dos Estados Unidos investigam a informação de que três pesquisadores do Instituto de Virologia de Wuhan (IVW) foram hospitalizados em novembro de 2019 com sintomas compatíveis com a Covid-19, antes do primeiro caso apontado pelo governo chinês, em 8 de dezembro daquele ano. A informação foi publicada na edição deste domingo (23) do Wall Street Journal, um dos mais respeitados veículos da imprensa tradicional.

O relatório ainda é confidencial, segundo informa o WSJ, mas detalhes, como a data da hospitalização e o número de adoecidos, foram vazados às vésperas do início da 74ª Assembleia Mundial da Saúde, nesta segunda (24), que é a instância máxima, um de corpo governante, da Organização Mundial da Saúde (OMS). A assembleia tem agendas marcadas até o próximo dia 1º de junho, mas o assunto é um só: a pandemia de Covid-19.

Uma fonte ouvida pelo WSJ garante que o relatado sobre os pesquisadores em Wuhan às autoridades de inteligência foi “muito preciso. O que não foi dito foi o motivo pelo qual [os pesquisadores do instituto de Wuhan] adoeceram”. Os detalhes desse relatório de inteligência confirmam um memorando (“fact sheet”) do Departamento de Estado dos EUA sobre a origem do coronavírus de 15 de janeiro deste ano, no fim do governo Donald Trump, que mencionava “alguns pesquisadores” que teriam ficado doentes no “outono [de setembro a dezembro, no hemisfério norte] de 2019”.

O memorando de 15 de janeiro não contém conclusões sobre a origem do vírus, mas relatava que os sintomas dos pesquisadores adoecidos eram consistentes tanto com a Covid, quanto com a gripe sazonal, e principalmente levantava questionamentos sobre a credibilidade das informações oficiais chinesas. A atual administração, do democrata Joe Biden, não negou qualquer das informações. Um representante atual do Departamento de Estado, Ned Price, disse que o memorando “não chegou a conclusões” e que foi um relatório que se concentrou “na falta de transparência em torno das origens”.

A médica virologista Marion Koopmans, uma holandesa que integra o time responsável pelo estudo de coronavírus de morcegos no IVW, revelou à rede americana NBC News, em março, que alguns membros do time da equipe adoeceram nos últimos meses de 2019, mas ela atribuiu a doença à gripe sazonal, “nada que se destacasse”. Já Shi Zhengli, a principal pesquisadora de coronavírus de morcegos no instituto de Wuhan, afirmou à equipe de investigadores da OMS que esteve na cidade chinesa este ano, que todos de sua equipe testaram negativo para anticorpos da Covid-19 e não houve mudanças de pessoal.

Dê sua opinião: