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Greve dos caminhoneiros é tema de debates nas casas legislativas

BR-343, em Teresina, em frente ao terminal de petróleo há manifestação sem bloqueio 
  Foto: PRF

A greve dos caminhoneiros alterou uma porção de eventos que seriam realizados do final da semana passada até a última segunda-feira, a começar por uma carreata do PT pelo lançamento da candidatura Lula, prevista para o final da tarde de domingo. O lançamento do livro “A melancia do presidente”, de autoria do governador Wellington Dias, também foi cancelado. Deveria ter sido feito na Universidade Federal, mas esta suspendeu seu funcionamento, devido à greve dos motoristas.

Nas casas legislativas os pronunciamentos foram quase que totalmente de ataques ao governo Temer, a começar pelo Senado, onde o senador Magno Malta quis saber se é o presidente que manda em Pedro Parente ou se é ele que manda no presidente. Na Câmara Federal o ponto mais atacado foi a atitude de alguns donos de postos de gasolina, que venderam o produto a mais de R$ 9 reais o litro.

Na Assembleia Legislativa o líder do governo, deputado Francisco Limma Lula leu nota técnica do Departamento Interesindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), sobre “A escalada do preço dos combustíveis e as recentes escolhas da política do setor de petróleo”, que ele considera ser "a verdade sobre toda crise, que culminou com a paralisação dos caminhoneiros em protesto contra os sucessivos reajuste nos preços dos combustíveis".

Para o deputado Robert Rios, líder da oposição, “O governador Wellington Dias é o responsável pelo povo do Piauí pagar hoje o combustível mais caro do país”, por ter aumentado os impostos sobre o produto. O deputado Dr. Hélio demonstrou sua preocupação com a falta de combustíveis, relatando da tribuna a igual preocupação de empresários que estiveram em reunião na presidência da Assembleia. Ele destacou que os pacientes renais são os mais prejudicados, por falta de transportes, embora acredite no esforço do secretário de Segurança, coronel Rubens Pereira, para a desobstrução definitiva do Terminal de Petróleo de Teresina

Analise isenta

Publicou o portal brasil247: "O movimento dos caminhoneiros revelou o grau de abandono do povo brasileiro e desnudou a mediocridade da política nacional - da direita, do centro e da esquerda; do governo e da oposição. Pôs à luz do sol a falência das instituições do Estado, dos partidos e das lideranças políticas. Espatifou a autoridade do Executivo, do Legislativo e do Judiciário reduzindo-os à impotência", avalia a cientista político e colunista do 247, Aldo Fornazieri.

Carga tributária

Escreveu Valter Alencar, no facebook: ”A crise gerada pela greve dos caminhoneiros é consequência também da pesada carga tributária existente no Brasil. O Piauí, por exemplo, tem o 2º ICMS mais caro do país sobre o combustível, penalizando ainda mais a população. O governador do estado se recusa a baixar a alíquota e tenta se livrar de qualquer responsabilidade, alegando que a crise é nacional. Uma vergonha”! A análise do Alencar é a mesma de senadores e deputados federais que vêem o mesmo problema em seus estados.

Limite nas bombas

Um dos problemas enfrentados por quem entra em filas para abastecimento nos postos de gasolina de Teresina é não haver limite de litros para cada veículo. Quem tem dinheiro suficiente manda encher o tanque e quem tem pouca grana corre o risco de chegar na bomba quando já não mais existir o produto. Em alguns estados os postos limitaram o abastecimento em cem reais, para poder atender a todos. Existem três tipos de filas: automóveis, motocicletas e galões. Supõe-se que este último seja para veículos com os tanques zerados.

Alimentação nos presídios

Existem vários tipos de previsões sobre o que aconteceria de pior nessa crise dos combustíveis. Uma delas é sobre a alimentação nos presídios. Há quem aposte como a solução seria soltar os detentos.

Para quem está solto tudo é mais fácil. O detento não tem alternativa.Para quem está internado em hospitais a situação seria pior no agravamento da crise. No Piauí a situação é crítica para pessoas que precisam se deslocar para a capital em busca de tratamento médico. Os doentes renais que fazem hemodiálise fora de seu município correm sérios riscos.

Manifesto de professores

Professores das redes pública e particular fizeram uma manifestação na manhã desta terça-feira, em frente a Assembleia Legislativa, contra a alta constante dos impostos, em níveis nacional e estadual. O professor Wallyson Veras, um dos organizadores do evento, enfatizou que é a manifestação era isenta de bandeiras partidárias, sindicatos e agremiações políticas. “Vamos sair um pouco da zona de conforto e lutar um pouco por um país mais justo e melhor”, afirmou. A manifestação soltou muitos fogos, talvez para chamar a atenção, já que o momento não é de alegria.

O sonho da intervenção

Aumenta a cada dia o número de pessoas torcendo por intervenção militar no Brasil, nas redes sociais. Em 1964 o povo foi às ruas pedindo a derrubada de João Goulart. A esperança era de que fossem mantidas a Constituição e a eleição marcada para o ano seguinte, por sinal com dois nomes fortes para presidente, Juscelino e Carlos Lacerda. Os militares atenderam o pedido do povo, mas decidiram, sem que ninguém tivesse pedido, passar 20 anos no poder. O melhor exemplo de forças armadas nos últimos anos foi de Honduras. Os militares derrubaram o governo, mantiveram as eleições, deram posse aos eleitos e retornaram aos quartéis.

O humor de cada dia

Numa fila com cinqüenta carros e quase uma centena de motocicletas para abastecimento, surge um jovem querendo ser atendido prioritariamente. Mas o frentista disse que ele não tinha idade para reivindicar o benefício. O cara justificou seu pedido apontando para o carro velho, que segundo ele foi fabricado em 1995. A brincadeira arrancou muitos risos na fila, diminuindo a tensão dos que esperavam há quase duas horas.

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